29/03/2012

Dicas de Português

A EXPRESSÃO “RISCO DE VIDA” CORRE “RISCO DE MORTE”?

Pois é, pessoal. Ontem, depois do comentário sobre “problema de saúde”, surgiu dúvida sobre outra expressão polêmica: “risco de vida” ou “risco de morte”?
Se fôssemos interpretar “ao pé da letra”, deveríamos mesmo di\er RISCO DE MORTE. Isso porque o risco que corremos é o de morrer a qualquer momento. Estar vivo é arriscado, mas não existe o RI
SCO DE VIDA, existe a própria VIDA. No entanto, não há como derrubar o que se consolidou culturalmente no idioma. Os falantes da língua portuguesa provavelmente sempre interpretaram essa expressão (“risco de vida”) como a forma oculta de "risco de perder a vida". E é óbvio que, ao ouvir a expressão, sabemos exatamente a intenção de quem a falou: pôr a vida em risco, arriscar a vida. Além disso, a legislação fala em "gratificação por risco de vida", o Código de Ética Médico traz a expressão "iminente risco de vida" e o dicionário do Houaiss, no verbete "risco", exemplifica com risco de vida.
Por isso, não creio que alguém consiga derrubar a clássica expressão “risco de vida”.Acho igualmente que a outra, a expressão “risco de morte”, é perfeitamente cabível. E é possível pela lógica que abordei: risco de morrer.
O dedo em riste que acusa: “não use tal expressão” é que não pode continuar existindo. “Risco de morte” não é um substituto obrigatório do de “risco de vida”. A língua não pode estar submetida estritamente à lógica porque é infinitamente maior do que ela: exprime as emoções, concretiza as fantasias, manifesta as incertezas e até as ambiguidades que carregamos.
Correndo RISCO DE VIDA ou RISCO DE MORTE, o importante é levar vida avante.

Fonte: Ricardo Erse

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